quinta-feira, 4 de julho de 2019

Taquicardias 3

Imagem relacionadaE como não segui nada daquilo
e continuei sempre Godspeed em frenesim a trabalhar
seis meses sem ir a um ginásio
sem dar uma caminhada
a dormir pouco e mal
a comer pior
e tudo o contrário do que me disse o doutor adivinho
cá ando, de novo, às voltas com o aperto no peito
e as cavalgadas sistólicas garganta acima!

Hoje fui colocar um Holter.
Lamento desiludir.
Faria, certamente, mais furor se vos anunciasse que ia colocar implantes mamários!


Pensei que,
da mesma maneira que avario tudo o que é electrodoméstico
ou da mesma maneira que paro todos os relógios no pulso
pensei que ia dar conta deste tal de Holter em poucas horas.

Pois, não.
O aparelho tombou-me a mim.
Uma sonolência, uma carga de sono, um cansaço!
Deu-me cá uma quebra como se andasse ligada a descargas eléctricas o dia todo!
Está encontrada a solução!

É dar-me uns choques que eu acalmo!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Taquicardias 2

E, entretantos, as palpitações sem enamoramentos continuaram
Resultado de imagem para electrocardiografia(vide de que falo aqui)

Para além disso, desta feita, havia uma dor no peito.

De modos que, passados uns largos meses, voltei lá.

O homem era o mesmo,
não me reconheceu, nem às queixas
e desta vez, devia haver menos gente à espera para atender,
porque não apenas me fez um electrocardiograma,
como ainda me ensinou a respirar
e me foi dando conselhos preciosos para o meu coração.

A colocar-me os eléctrodos:
"Sabe que padece de uma doença gravíssima, não sabe?"

Nem respondi.
Numa maca de hospital temos sempre menos paleio e aquilo atingiu-me sem contar.

"Chama-se ANSIEDADE!"

"Sempre soube que sou uma pessoa ansiosa e fui aprendendo a controlar isso, mas agora está-me a dizer que isso dói?"

"Dói e de que maneira! E também mata!"

Vieram-me as lágrimas aos olhos.
Não sei do que eram.
Medo?
tristeza?
tomada de consciência?
vergonha de ser frágil?
auto-compaixão?
raiva por ter chegado àquilo?

Desta vez não estava a achar piada nenhuma.

O médico, muito fora do mainstream,
foi incansável, mostrava-me os tracejados daquilo
explicava que se respirasse fundo os batimentos cardíacos baixavam,
e que eu devia arranjar formas de me acalmar.
Não sendo psicólogo, foi-me dizendo
que eu devia tentar não me centrar tanto naquilo que me preocupava
(fosse o que fosse)
solucionar o que fosse possível
e encarar de forma menos dramática o que não conseguisse solucionar.

Pode, Deus meu!
Mas afinal o que revelam cá de dentro aqueles riscos do ECG?
Aquilo lê a alma da gente? É que o homem não me conhece de lado nenhum!

A dada altura, ele:
"Escreve?"

Eu, de mim para mim, cruzes!
De mim para ele:"sim... rabisco umas coisas num blog..."

"Um blogue não serve - é público. 
Escreva numas folhas de papel o que a incomoda e depois deite fora, 
ou um diário, um registo pessoal, ajuda muito!"

Não estava a crer!
O médico a mandar-me escrever!

Saí de lá com duas folhas de papel:
uma receita de ansiolítico e uma folha onde ele escreveu:

1h de caminhada por dia
ioga 3x semana
meditação diária
respiração abdominal de duas em duas horas
evitar carnes vermelhas
comer legumes e fruta
beber muita água e infusões de ervas naturais
...

Não me lembro.
Se tivesse cumprido tudo aquilo à risca não me teria sobrado tempo para trabalhar!
Por isso,ignorei aquilo tudo e continuei a trabalhar.


terça-feira, 2 de julho de 2019

Taquicardias 1

Imagem relacionada
Aqui há um ano andava a sentir-me acelerada.

(para quem me conhece bem, esta parte, só por si, já tem piada!!!)

De maneiras que fui a um médico numa clínica conhecida ali por onde trabalho,
um qualquer,
o que estava de serviço,
não sei nem soube quem,
que aquilo já vinha durando há uns dias
e, naquele momento,
para mim,
tinha carácter de urgência.

"Então, o que é que a traz por cá?"

"Sabe, doutor, é que eu sinto o coração a bater dentro do peito..."

Interrompe-me e graceja:"Ainda bem que o sente, é sinal que está VIVA!"

"Pois... está bem, mas... mas bate muito depressa... e nem é em esforço, é em repouso; olhe à noite, quando me deito, parece que me vai sair pela boca..."

Interrompe-me, de novo, sorridente... "Mas, diga-me uma coisa, está APAIXONADA?"

(Só comigo, deveras! Mas será que ninguém me leva a sério?)

Alinho:
"Ó Senhor Doutor, repare bem na minha data de nascimento...
o senhor acha que
nesta idade
se eu estivesse apaixonada
me vinha QUEIXAR?"


terça-feira, 14 de maio de 2019

Edição de memórias- consideração, muita!

Aqui há uns anos, como é sabido, trabalhei num LIJ
(Lar de Infância e Juventude)
Uma experiência muito enriquecedora,
não apenas a nível profissional,
mas para a minha evolução como ser humano.

Ah e tal, os miúdos deviam ser difíceis....
e os nossos filhos, não são?
e alunos complicados?
e turmas tirem-me-daqui?
e nós próprios?
Eu, da minha parte, sou muitas vezes insuportável e execrável.

Talvez por isso mesmo me tenha dado bem com a maioria deles!

Portanto, o que aqui vai é uma lembrança de legítimo afecto, sem qualquer tipo de julgamento.


Olha que ternura de memória: (5 maio 2015)

Uma espécie de elogio ou das funções que, enquanto professores, não planeamos ter: " professora desculpe o atraso, estive a F###r os co###nosa um @#### e depois disse lhe k só não comia mais, porque tinha de vir ter com a senhora (finalmente educação e deferência) para o apoio!". Valha nos a consideração! 

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Anda e não Pia


Resultado de imagem para vinho de pacote PiasTenho de perder este estúpido hábito de ter vontade de rir nas situações mais dramáticas. 

Como daquela vez do meu acidente mortal em que não morri. E como não morri, fiz humor.
A coisa foi feia. Derrapei na gravilha, rodopiei, bati contra um poste lateralmente e contra uma casa frontalmente. Fiquei pendurada, em suspensão, entre as videiras do quintal e a janelita da cozinha. Por sorte, a velhinha cavava as couves dois metros mais à frente.
De maneiras que foi trágico. O carro ficou concertinado e teve de ser extraído com o aparato de um grande guindaste e ir jazer numa sucata.
Enquanto não, liguei para casa a avisar que tinha dado "um toque" e esperei pela grua. 
Isto foi num atalho que todos tomávamos a caminho da escola de Ronfe. Nisto passa o director; vê-me na berma; pára; vê aqueles preparos, pergunta se estou bem.
Sorrio e sai-me, antes de devidamente o pensar:
"Eu estou! Queres comprar?"

No outro dia, mais humor negro.
O carro não pegava e era uma coisa eléctrica. Veio o reboque, sai de lá um neandertal solícito que tinha uma solução na manga, ali mesmo, no local.
Dirige-se ao reboque para ir buscar a magia das ferramentas. Abre um compartimento e tem de afastar dois caixotes de Pias para chegar às ditas abençoadas ferramentas.
Dá-me vontade de rir.
Estou bem aviada. 
Só me resta o vinho de pacote para me resolver a vida!

E não é que resolveu mesmo?
Mexeu e andou.
Não sem antes,
muitos estalos de língua
muitos abanares de cabeça
muita sobrancelha franzida
muitos
"estes carros modernos"
e por aí segue.

Anda!
Anda e não Pia!

domingo, 5 de maio de 2019

A mãe NÃO PAGA

Ora bem, a ideia tá gira
A imagem pode conter: Marta Pereira, a sorrir, ar livre
 e demos com ela por acaso, 
mas o fado que eu fiz à conta disto!

Comecei logo: bora, manda-se vir marisco p'ra mãe e atum com feijão frade pós cachopos!

(Se bem que também já há quem venda as conservas a preço de caviar na restauração lisboeta. Turista come cavala num prato grande com uns rabiscos de assinatura de um qualquer chefe gourmet e paga o equivalente ao meu subsídio de alimentação para a semana toda!)

Então, ia eu dizendo, que se para mim era de borla, enfiava-se omeletes p'ós gaiatos, iscas de fígado para o pai e picanha para a mãe!😂😂

Eu a beber Moet et Chandon,
e eles:
uma cola para os três 
e água da torneira no WC,
quando esta acabar!!😂😂

Sou só eu que acho a ideia hilariante?

Também me lembrei que, para o ano, se a iniciativa se repetir, mais vale combinar com as amigas, todas munidas das células de nascimento dos filhos
para usufruir da promoção
mas sem filhos
para USUFRUIR da promoção!!!!
😂😂😂😂

PS Era a sobremesa a que a MÃE tem direito e quatro colheres, por favor!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

#ouçomaisdoquequeria

Eu a escrever o sumário, sentada à secretária
(talvez o único ou seguramente dos raros momentos em que me sento durante as aulas)
e a pequenina da frente,
à minha direita,
absurdamente loirinha 
e a fitar-me com aquelas esferas azuis muito profundas
e aquela mansidão na voz
que me faz um esforço de ouvido para apurar o que diz

Sabes txitxa, a minha mãe já vai ser operada!

Pus-me atenta. Parei de escrever, ergui o olhar. 
Confesso que nem sempre tenho tempo de interromper os trabalhos para ouvir todas as mil confissões, desabafos e partilhas com que me querem honrar, mas uma criança preocupada com a saúde da mãe faz-me parar.

Sim, então? Está com algum problema de saúde? Está doente?

E ela, muito depressa:

Não, txitxa! É para não ter mais filhos, vai fazer uma operação.

Alívio. Quase não tenho tempo de pensar ah-afinal-é-só-isso, 
que ELA
a menina sossegadinha da turma
a caladinha
a respeitadora
dispara:
(eu juro que sem malícia)

O meu pai é que ficou contente txitxa... ele disse até qu'infim!

Eu devia estar com os olhos verdadeiramente arregalados, porque ela explicou:

Ele diz que a culpa é dela! Que ela nunca sai de cima dele e que, por isso, é melhor assim!