terça-feira, 2 de julho de 2019

Taquicardias 1

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Aqui há um ano andava a sentir-me acelerada.

(para quem me conhece bem, esta parte, só por si, já tem piada!!!)

De maneiras que fui a um médico numa clínica conhecida ali por onde trabalho,
um qualquer,
o que estava de serviço,
não sei nem soube quem,
que aquilo já vinha durando há uns dias
e, naquele momento,
para mim,
tinha carácter de urgência.

"Então, o que é que a traz por cá?"

"Sabe, doutor, é que eu sinto o coração a bater dentro do peito..."

Interrompe-me e graceja:"Ainda bem que o sente, é sinal que está VIVA!"

"Pois... está bem, mas... mas bate muito depressa... e nem é em esforço, é em repouso; olhe à noite, quando me deito, parece que me vai sair pela boca..."

Interrompe-me, de novo, sorridente... "Mas, diga-me uma coisa, está APAIXONADA?"

(Só comigo, deveras! Mas será que ninguém me leva a sério?)

Alinho:
"Ó Senhor Doutor, repare bem na minha data de nascimento...
o senhor acha que
nesta idade
se eu estivesse apaixonada
me vinha QUEIXAR?"


terça-feira, 14 de maio de 2019

Edição de memórias- consideração, muita!

Aqui há uns anos, como é sabido, trabalhei num LIJ
(Lar de Infância e Juventude)
Uma experiência muito enriquecedora,
não apenas a nível profissional,
mas para a minha evolução como ser humano.

Ah e tal, os miúdos deviam ser difíceis....
e os nossos filhos, não são?
e alunos complicados?
e turmas tirem-me-daqui?
e nós próprios?
Eu, da minha parte, sou muitas vezes insuportável e execrável.

Talvez por isso mesmo me tenha dado bem com a maioria deles!

Portanto, o que aqui vai é uma lembrança de legítimo afecto, sem qualquer tipo de julgamento.


Olha que ternura de memória: (5 maio 2015)

Uma espécie de elogio ou das funções que, enquanto professores, não planeamos ter: " professora desculpe o atraso, estive a F###r os co###nosa um @#### e depois disse lhe k só não comia mais, porque tinha de vir ter com a senhora (finalmente educação e deferência) para o apoio!". Valha nos a consideração! 

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Anda e não Pia


Resultado de imagem para vinho de pacote PiasTenho de perder este estúpido hábito de ter vontade de rir nas situações mais dramáticas. 

Como daquela vez do meu acidente mortal em que não morri. E como não morri, fiz humor.
A coisa foi feia. Derrapei na gravilha, rodopiei, bati contra um poste lateralmente e contra uma casa frontalmente. Fiquei pendurada, em suspensão, entre as videiras do quintal e a janelita da cozinha. Por sorte, a velhinha cavava as couves dois metros mais à frente.
De maneiras que foi trágico. O carro ficou concertinado e teve de ser extraído com o aparato de um grande guindaste e ir jazer numa sucata.
Enquanto não, liguei para casa a avisar que tinha dado "um toque" e esperei pela grua. 
Isto foi num atalho que todos tomávamos a caminho da escola de Ronfe. Nisto passa o director; vê-me na berma; pára; vê aqueles preparos, pergunta se estou bem.
Sorrio e sai-me, antes de devidamente o pensar:
"Eu estou! Queres comprar?"

No outro dia, mais humor negro.
O carro não pegava e era uma coisa eléctrica. Veio o reboque, sai de lá um neandertal solícito que tinha uma solução na manga, ali mesmo, no local.
Dirige-se ao reboque para ir buscar a magia das ferramentas. Abre um compartimento e tem de afastar dois caixotes de Pias para chegar às ditas abençoadas ferramentas.
Dá-me vontade de rir.
Estou bem aviada. 
Só me resta o vinho de pacote para me resolver a vida!

E não é que resolveu mesmo?
Mexeu e andou.
Não sem antes,
muitos estalos de língua
muitos abanares de cabeça
muita sobrancelha franzida
muitos
"estes carros modernos"
e por aí segue.

Anda!
Anda e não Pia!

domingo, 5 de maio de 2019

A mãe NÃO PAGA

Ora bem, a ideia tá gira
A imagem pode conter: Marta Pereira, a sorrir, ar livre
 e demos com ela por acaso, 
mas o fado que eu fiz à conta disto!

Comecei logo: bora, manda-se vir marisco p'ra mãe e atum com feijão frade pós cachopos!

(Se bem que também já há quem venda as conservas a preço de caviar na restauração lisboeta. Turista come cavala num prato grande com uns rabiscos de assinatura de um qualquer chefe gourmet e paga o equivalente ao meu subsídio de alimentação para a semana toda!)

Então, ia eu dizendo, que se para mim era de borla, enfiava-se omeletes p'ós gaiatos, iscas de fígado para o pai e picanha para a mãe!😂😂

Eu a beber Moet et Chandon,
e eles:
uma cola para os três 
e água da torneira no WC,
quando esta acabar!!😂😂

Sou só eu que acho a ideia hilariante?

Também me lembrei que, para o ano, se a iniciativa se repetir, mais vale combinar com as amigas, todas munidas das células de nascimento dos filhos
para usufruir da promoção
mas sem filhos
para USUFRUIR da promoção!!!!
😂😂😂😂

PS Era a sobremesa a que a MÃE tem direito e quatro colheres, por favor!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

#ouçomaisdoquequeria

Eu a escrever o sumário, sentada à secretária
(talvez o único ou seguramente dos raros momentos em que me sento durante as aulas)
e a pequenina da frente,
à minha direita,
absurdamente loirinha 
e a fitar-me com aquelas esferas azuis muito profundas
e aquela mansidão na voz
que me faz um esforço de ouvido para apurar o que diz

Sabes txitxa, a minha mãe já vai ser operada!

Pus-me atenta. Parei de escrever, ergui o olhar. 
Confesso que nem sempre tenho tempo de interromper os trabalhos para ouvir todas as mil confissões, desabafos e partilhas com que me querem honrar, mas uma criança preocupada com a saúde da mãe faz-me parar.

Sim, então? Está com algum problema de saúde? Está doente?

E ela, muito depressa:

Não, txitxa! É para não ter mais filhos, vai fazer uma operação.

Alívio. Quase não tenho tempo de pensar ah-afinal-é-só-isso, 
que ELA
a menina sossegadinha da turma
a caladinha
a respeitadora
dispara:
(eu juro que sem malícia)

O meu pai é que ficou contente txitxa... ele disse até qu'infim!

Eu devia estar com os olhos verdadeiramente arregalados, porque ela explicou:

Ele diz que a culpa é dela! Que ela nunca sai de cima dele e que, por isso, é melhor assim!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Tótó, mas com muito estilo!

O João tem um babette, mãe!

Bavaglini Bambino Gucci BlueTem, filha?

Sim, na hora do recreio, a avó vai lá sempre dar-lhe o lanche!

Como assim?

Olha, entra, põe-lhe a babette, dá-lhe à boca o iogurtinho, limpa-lhe assim (a fazer o gesto de dobrar o babette em cima dos lábios) e depois dá-lhe beijinhos repenicados e vai-se embora...

E o João é pequenino? É do primeiro ano?

Não, mãe! É da minha turma! 
(3ºano)

E os outros meninos não gozam com ele?

Não, nem gozamos muito, mas sabes o que é que tem mesmo piada?

O quê?

É que o babette é da Gucci!



segunda-feira, 22 de abril de 2019

Twenty-five-#parecekfoiontem!

A imagem pode conter: céu e ar livreEverywhere we go
People want to know
Who we are
Where we come from








Ao que parece, já lá vão 25 anos desde que frequentámos a UM e a nossa querida Raquel lembrou-se de usar a rede para nos pôr, de novo, em contacto uns com os outros. Bem haja!

A ideia é extraordinária e,
claro,
também tem o seu quê de assustador...

pois que a gente vai ver reflectido uns nos outros 
o peso de um quarto de século 
a calcorrear o país,
a aturar canalha,
a formar pessoas,
a ser txitxas e txitxos,
ou setores de português
( LE em ambos os casos).

pois que a gente vai
descobrir nas rugas uns dos outros
as voltas que a vida já nos deu
com ou sem filhos
com amores, desamores
lutos, perdas e conquistas.

É que a gente já tá crescidote, né?
E pode ser um pouquinho assustador termos de nos confrontar, assim de repente, com o que a vida nos acrescentou ou subtraiu. 

Mas, vamos lá fazer a ponte, softly,
com recordações que nos aproximem pelo riso!

Escolho duas.

Primeira semana de aulas. 
Eu e uma amiga, às aranhas para nos desenvencilharmos no campus, acabámos por chegar atrasadas, mas lá damos com a sala. Tentámos entrar discretamente, numa aula que, afinal, já estava a decorrer.  Atrapalhaditas e a tentar sentar quando o professor nos aborda:
"Entrem, estejam à vontade!Quais são as vossas habilitações matemáticas, mesmo?"
(We should have known better!!!!)
Estranhei a pergunta, mas a boa educação e o civismo levaram-me a balbuciar "no-no-a-no...?"
Gargalhada geral e nós com uma vergonha gigante, finalmente superior à percepção de que não era ali que deveríamos estar!


O professor de Fonética, salvo erro Barroso (de apelido e proveniência) muito se irritava com o funesto hábito tabágico do Américo Lindeza, o da literatura.
Então, barafustava para nós testemunhas e, por vezes, deixava-lhe recados no quadro.
Se a memória não me falha, certa vez foi algo do género: é favor deixar o quadro e a secretária limpos.Daí em diante, o outro, de sorriso farfalhudo por trás da barba marxista, deixava-lhe as beatas alinhadinhas na mesa e mastigava, com gozo: "Assim, como ele gosta!"