quinta-feira, 28 de julho de 2016

Férias Desportivas

Durante o mês de Julho e Agosto cerca de 900 crianças e jovens frequentam as famigeradas Férias Culturais e Desportivas da Câmara Municipal de Bragança. !!!!

Num distrito que se diz despovoado e envelhecido, numa cidade onde a taxa de natalidade não é lá muito gordinha, enche-se a alma ao chegar a um edifício a abarrotar de risos e gritos de crianças, em corridas desgarradas e multicolores.


Este ... hesitei agora, porque chamar-lhe ATL é ficar muito aquém da realidade.
Estas férias, chamar-lhes-ei assim, são uma instituição da cidade. Uma marca. Gerações. Manos que passam camisolas de cor uns aos outros, vermelhos que se tornam monitores. E sempre uma experiência única e gratificante para as crianças. 

Para quem não sabe do que estou a falar, as crianças formam grupos etários e usam bonés e t-shirts com a respectiva cor do grupo. Os amarelos, com 6 e 7 anos; os verdes, com 8 e 9 anos; os laranjas, dos dez aos onze; os vermelhos, dos 12 aos 13 e os azuis, os veteranos, dos 14 aos 15 anos.

Depois, há uma pedra preciosa, e não apenas de nome, que se dedica incansavelmente a "customizar" as t-shirts de toda a gente, por forma a ficarem todos fashion e fresquinhos, porque com tanto buraco, aquilo ventila por todo o lado, não é Safira? Com uma tesoura e muito carinho, produz autênticas obras de arte. E para todos. Com infinito gosto e paciência. (Dica: para o ano organiza um workshop para os pais também aprenderem, vale?)

As actividades são diferenciadas para cada grupo e de uma diversidade fabulosa. Eles jogam futebol, eles vão ao Azibo, eles andam de bicicleta, eles vão aos museus todos da cidade, eles ouvem contos na Biblioteca Municipal, eles fazem pão com chouriço na cantina da Câmara Municipal, eles dançam, eles nadam, eles cantam no karaoke, eles vão ao cinema e até à discoteca, eles constroem fantoches, eles vão a parques aquáticos, ao Estádio do Dragão, aos Bombeiros e à Polícia. 

Na imagem que escolhi estavam todos cobertos de tintas, foi a Color Dance Kids - música, animação, água, saltos, pulos e pinotes e pigmentos coloridos que fazem a alegria dos pequenos. Parecia uma rave, só que sem álcool. Um bom exemplo para os maiorzinhos de que se podem divertir... sóbrios!

Os meus parabéns a uma equipa fantástica que cuida destes turbulentos energéticos piolhos, resgatando-os de umas férias sedentárias de sofás, televisão e playstations.
É excelente para os miúdos, que se mantêm activos, criam amizades e desenvolvem competências de vida que nem sempre a escola teve oportunidade de concretizar durante o ano. Tais como: jogar às cartas; beijar debaixo de água; cravar uns cêntimos ao amigo para comprar um !

É útil e tranquilizador para os pais, que os sabem seguros e bem entregues.
E é, ainda, uma mais valia para a cidade, que se pinta de juventude em movimento. Sabe tão bem encontrar uma mancha laranja em correria no Eixo Atlântico, ver um bando vermelho a caminho do Polis ou uns pintainhos amarelinhos na Praça da Sé, a caminho da Biblioteca. Dão vida à cidade e, a mim, enche-me a alma!

Bem haja esta iniciativa por parte da Câmara Municipal de Bragança, um projecto exemplar que anima o município. É bom viver em Bragança!

Sweet Child O' Mine

Sei quem és.
Costumas ficar lá ao fundo, no cantinho mais distante do quadro, ao fundo da sala de aula, a usar as canetas como baquetas da tua constante percussão interior. 
Entendo-te. A música é a tua paixão. 
Bem te vi, delirante no concerto dos AC/DC. Com aquele brilho nos olhos. 
Não te posso mentir. Não estão nas minhas preferências, mas cantei muito Axel na adolescência, por isso, vá, cá nos encontramos melodicamente, algures. 
Entendo-te. Não posso viver sem música.
Tens uma banda, tens sonhos, tens esse brilho nos olhos que me agrada. 
Ou não.
Se denunciar consumos. Penso nisso, sabes. Muitas vezes. 
Que não te percas. 
Pareço a tua mãe a falar, não é?
Vê se me entendes, desejo que vás muito longe, que sejas grande, que concretizes os teus sonhos, que a tua música te continue a iluminar o olhar.
Mas.
Que não seja preciso mais nada para te inebriar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Baixar a fasquia


Ao som do meu novo mantra:
 "A areia é esfoliante! A areia é esfoliante! A areia é esfoliante!"
(não stresses com a areia na toalha e nem vale a pena sacudir porque não terás oportunidade de te deitar nela!!!!)

Por conseguinte, aqui estão os princípios que enunciei para mim própria por forma a tornar o verão exequível para os adultos e feliz para as crianças. 
Give them a break mum!


1) Se ninguém fizer a cama durante os quinze dias de férias... 
não há crise! AREJA!

2) Tem biquini e t-shirt?
Está vestida!

3) Está despenteada?
De qualquer forma vai pôr boné...

4)  Não lavou a cara e tem remelas?
Não faz mal... vai já para o mar!

5) Panou-se de areia, assim que acabei de colocar o protector solar?
Não faz mal... vai já para o mar!

6) "Tenho xixi..."
(Adivinharam!) Não faz mal... vai já para o mar!

7) "Tenho cócó..."
Só não os mando para o mar ou para as dunas porque as minhas leitoras ambientalistas caíam-me em cima, mas que dava jeito aos adultos e certa alegria matreira aos pequenos, não duvido.

8) Gelados e pizzas contam como refeições.

9) Banho na piscina conta como BANHO!
Haverá lá alguma coisa que desinfecte mais do que o próprio cloro?

10) Hora de dormir? ... é quando tombarem!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Monólogo mental na passadeira

Eu, na passadeira do ginásio, uma segunda feira de manhã (qualquer segunda-feira de manhã) de um gélido inverno transmontano:

Primeiros 40 segundos - Está uma briasca do caraças! Ainda bem que vou fazer isto! Já vou aquecer!

Primeiro minuto - Já descongelei os pés! Que fixe!

Três minutos - Espectacular! Estou mesmo em forma! É que sou fit!

Cinco minutos - Hoje está-me a custar mais, fogo, não devia ter ido dormir tão tarde!

Oito minutos - Como é que aquela pita na passadeira ao lado lhe dá  com tanta força? Também... deve ter praí menos vinte anos e quilos do que eu!Só paro quando ela parar! Anda cota, não te fiques!

Dez minutos - Meu Deus, como é que fui capaz na semana passada? Não vou conseguir! Estou a arfar!

Doze minutos - Cem calorias? Só?!!! Nunca mais como nada em toda a minha vida!

Quinze minutos - Vou desistir! Vou desistir! Já não aguento mais! Aggghhhh! Isto é uma tortura! Tirem-me daqui!!!!

Vinte minutos - Estou mesmo em forma, fogo! Sinto-me a verdadeira maratonista! Fantástico! Era capaz de correr mais uma hora!!!

Vinte e cinco minutos- É melhor não, se não já não consigo levantar pesos! Espectáculo! Hoje estou mesmo em alta! Ainda bem que vim!

domingo, 24 de julho de 2016

Escola em manutenção

clip art cleaning lady | Main Page > clipart > Household > Cleaning > Page 2: Certamente vocês não sabem...
ou melhor, não pensam nisso...
Nesta altura do ano a escola é desventrada e revirada de alto a baixo até ficar im-pe-cá-vel.

Das instalações antigas aos edifícios novos, tudo  é escrutinado, teia-de-aranha a teia-de-aranha até à desinfestação absoluta.
Para que tudo fique higienizado, arrumado e funcional para o novo ano lectivo há que limpar as paredes das toneladas de trabalhos que os nossos filhos produziram, por forma a abrir espaço a outro carregamento de desenhos, composições, cartazes e trabalhos.
Também vi envernizar portas, esfregar tectos, aspirar frinchas de janelas. 

E apeteceu-me congratular publicamente esta patrulha da purgação que é, a muitos olhos invisível, mas fundamental para que as nossas escolas sejam acolhedoras para os nossos filhos. 

E  não apenas nesta altura, mas ao longo de todo o ano lectivo. 
Recuperam as camisolas que as nossas crianças deixam para trás, vigiam-lhes os lanches, os intervalos, as brincadeiras e as traquinices, obrigam-nos a comer a sopa, põem pensos nos dói-dóis e até dão colinho aos mais novatos. 
Com os adolescentes têm aquela relação paradoxal possível: apego/desapego, consoante a hora e os interesses em causa. É que as auxiliares educativas fazem lembrar as mães lá de casa, são chatas e mandam para as aulas e ralham se os vêem dar o golpe; mas também ouvem desabafos e apartam brigas e acalmam nervos antes dos testes com um sorriso. 
Conhecem bem os nossos filhos, por vezes em facetas que nós desconhecemos. Contribuem para a sua educação, para o seu o seu desenvolvimento. 
Acompanham os nossos filhos, vêem-nos crescer.

Por tudo isso: bem hajam!
Como mãe, obrigada!


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Pokemónes


É pá...
Já tudo foi dito nas redes sociais sobre o fenómeno de entretenimento de ponta a que as massas se agarraram como zombies tão ou mais virtuais que os próprios bichos...
Eu, não querendo ser a velha do Restelo, lamento que as potencialidades de uma inovação tecnológica tão fascinante como a realidade aumentada, se tenham ficado pelo jogo e a alienação...

Não sei, mas isto sou eu que, inconscientemente tenho esperança que o ser humano arranje maneira de resolver o mundo e que tenho fé na ciência para ajudar a trilhar esse percurso.
Pelos vistos, não é para já.
Para já, para já, é andar assim de nariz enfiado no telemóvel, pescoço torcido e olhos esbugalhados.

Os advogados do diabo vêm com argumentos manhosos:

Ah e tal sempre fazem exercício físico, põe os miúdos a andar...
contra os postes e assim!
(quem tem mota aldraba o sistema e mesmo que o jogo peça dois quilómetros não dá nem um passo!!!! )

Socializam , desinibem-se...
como assim? vamos para o teu quarto...apanhar pokemónes!

Porque desenvolvem o sentido de orientação e desenrascam-se...
diz que já há pedófilos a fazer o mesmo, mais e melhor. A aplicação ajuda-os a desenvolver o sentido de orientação e a desenrascar-se.

Estimula a motricidade e a prossecução de objectivos, competências úteis à vida "real"...
quê? quantos problemas da vida "real" terão solução à raquetada no ar a bonequinhos invisíveis?


Os pokemónes são os gambozinos da modernidade.
 A essência era a mesma. Um gajo ia à procura de algo que algo que nunca ninguém tinha visto, mas todos sabiam que existia e todos queriam ter um.
 Só que sem ecrã...e também não consta que se ficasse viciado na caça aos gambozinos. Nem que grandes empresas estivessem dispostas a pagar exorbitâncias para esconder um gambozino nos seus estabelecimentos, a fim de atrair clientela....Enfim, gambozinos era coisa de putos. Picachús e afins já metem os adultos ao barulho.

No nosso tempo (nenhuma frase devia valer nada quando começa assim...) a gente caçava conchinhas na areia, grilos, gambozinos, gelados de gelo e episódios do Verão Azul ou do Justiceiro.  
"Kitxi vem mi buscÁ" , (fantástica dobragem em português do brasil) no mítico Pontiac de luzinhas vermelhas, era o expoente máximo da inovação tecnológica e da ficção científica. O bólide, que andava sozinho e falava, incorporava a nossa noção de futuro e de progresso.  É verdade que já há carros que quase conduzem por nós e que falam connosco. Mas para nos divertirmos andamos à la pata, vidradinhos em gadjets, à cabeçada uns aos outros em busca de algo "virtual"....

É pá...
Sejam felizes. Para mim, não.
Para mim realidade virtual e realidade aumentada são experiências que encontro dentro dos livros. Mas isso dava todo um outro post.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Velhinho à soleira

Deep wrinkles:
Source: Pinterest
"Boa tarde! Então? Está a descansar?"

Acena-lhe afirmativamente com a cabeça, como quem já não desperdiça palavras, como quem já as usou todas, como quem pensa que já não vale muito a pena.
E pensa.
Descansar...Que mais hei-de eu fazer se a carcaça a mais não permite?
Quando somos velhos já temos pouco tempo, mas o tempo dura tanto! Os minutos de solidão cansam tanto como outrora as horas de labor.

Sentado na soleira do edifício urbano onde mora. Final da tarde tórrida de Julho. Gasta repouso até ao jantar. Fixa as chaves que segura na mão trémula e pensa.
Seguro o que me pertence e não tenho nada. Comprei um apartamento como quem compra um jazigo. Uma vida de trabalho investida em três quartos cheios de vazio, cheios de silêncio que não posso suportar.

Levanta o olhar. Fixa em frente, com os olhos piscos do sol e da idade.
Não tenho nada. 
Vejo prédios, onde quis cheirar serras; asfalto onde não tagarelam cabritas, nem ovelhas. 
Nas cidades é-se velho mais depressa e mais fundo. 
Na cidade os jovens são velhos, as crianças são velhas, tudo é brilhante e luminoso e alegre e vibrante, mas profundamente velho e triste.