segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Biblio vivências 1

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O ano lectivo que passou foi muito profícuo e peculiar em experiências relacionadas com livros.
Vou relatá-las nesta saga a que chamei Biblio vivências.


A primeira situação inédita e agradável aconteceu na escola.

Foi muito surpreendente! 

Encontrei uma colega, professora de 1º ciclo, que lia proficuamente... em inglês! 

Não me censurem a admiração; bem sei que há pessoas de todas as formas e feitios em todos os estractos sociais; bem sei que não há caixinhas nem gavetinhas que nos possam acomodar a todos - tanto é que o Renato teve um mecânico a quem emprestou um Saramago meu, que lá andava perdido no banco de trás! - mas, simplesmente, a mim nunca me tinha acontecido. 

Estamos a falar de uma pessoa com quem eu trocava livros (quase) semanalmente... livros em inglês!

Foi uma benção!
Revitalizou a minha língua, porque à borla eu só arranjava livros em português na biblioteca e ela trazia malas cheias das férias nos hotéis de Vilamoura e consumíamos daquilo, à vez, pelo inverno fora. Pena que mudou de escola; tenho de lhe telefonar.

A vida é ou não é uma caixinha de surpresas?

domingo, 27 de janeiro de 2019

#we remember

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A 27 de janeiro de 1945, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau foi libertado pelas forças aliadas.

Por isso,
hoje, comemora-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

E correm nas redes sociais imagens de pessoas a segurar cartazes que afirmam que não nos esquecemos: WE REMEMBER (nós lembrámo-nos)

Como não?

Primeiro,
porque foi no outro dia! Ainda há sobreviventes, vítimas e agressores, todos a viver no espectro dos horrores experienciados!

Depois,

porque extermínios raciais aconteceram, de uma forma ou de outra, em várias partes do planeta - isto não é um problema dos alemães!

Finalmente,

e em especial,
porque o mundo que temos hoje 
ainda
estala com os mesmos furúnculos podres 
que deram origem àquela hedionda carnificina: 
antisemitismo, xenofobia, racismo, discriminação, intolerância.


Isto diz respeito a cada um de nós.

No nosso dia-a-dia. 
Com o vizinho do 3º esquerdo,
a prima preferida da avó,
as pessoas que vilipendias nas redes
ou o gajo com quem te picas ao volante.
Com o gordo, 
o gay, 
o preto, 
o rico (não disse ladrão),
o cigano, 
o emigrante, 
o refugiado...
a lista não tem fim.

Honrar as vítimas do Holocausto, 

e colaborar para "nunca mais" 
é darmos exemplo,
no nosso quotidiano, 
de paz e tolerância.

Porque há muitas formas de "queimar" pessoas!


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Largada do Abutre Negro nas Arribas do Douro

A imagem pode conter: céu, ar livre e naturezaA imagem pode conter: montanha, céu, ar livre e natureza

A gripe tombou-me na cama há dois dias.
Ontem, na sala de espera para ser atendida pelo médico, com a cabeça a latejar e arrepios de frio, escuto a voz de uma amiga a sair da televisão. 
Levanto os olhos doridos e vejo a peça da Silvia Brandão sobre a largada do abutre negro nas Arribas do Douro. Numa palavra, a ave foi resgatada, cuidada, recuperada e era, agora, devolvida ao seu habitat natural. 
Se há uns anos me dissessem que um abutre haveria de me comover, eu diria que só se estivesse a delirar de febre. No caso, também estava.
No entanto, eu já passei por uma experiência assim e vieram-me as lágrimas aos olhos. Foi em Vimioso, para aí em 2011. Fui com uma turma ver soltar um Milhafre Real, que havia sido resgatado e sarado pela malta da UTAD ou do Parque Natural das Arribas do Douro, já não me lembro. Quando vão devolver estas aves à natureza, avisam sempre as escolas, que seleccionam uma ou outra turma para assistir. Dessa vez, o privilégio foi meu.
Os monitores tinham pedido silêncio e os miúdos acataram, pelo que a largada se tornou algo solene e sagrada. Quando vi aquelas asas expandidas em céu aberto, aquela recuperação de liberdade, aquele voltar para o sítio certo... comovi-me profundamente.
E, pronto, era só isto.
Podia fazer metáforas sobre a libertação do abutre selvagem agrilhoado; podia enumerar os benefícios que esta experiência tem para os alunos; podia relatar memórias dos meus anos de docência por detrás e entre os montes; podia fazer elações poéticas sobre a doçura que cabe numa voz amiga vinda de um televisor numa sala de espera de um hospital quando estamos a arder em febre. Mas não.
Hoje era só mesmo para dizer que uma ave retornada à montanha é um espectáculo arrepiante e majestático.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Tá justificado!

A gente também tem culpa.
Resultado de imagem para clipart, absence reportA gente aceita-lhes tudo e mais alguma coisa e, se calhar, bem.
Não interessa que exista um Regulamento Interno, 
nem um Estatuto do Aluno.
A gente - professores, directores de turma - continua a aceitar justificações de faltas evasivas e anedóticas. "Esteve doente"; "Dormiu mal"; "Os astros não se conjugaram para a criança fazer a sua aparição cósmica no planeta escola!"

Ainda hoje vi uma que rezava assim: 

Data:22/ 01/2019
Motivo: Familiar

O "familiar" salta-me à vista e ocorrem-me milhões de situações que cabem neste epíteto. 
Familiar, como?  
A pulga do cão perdeu-se e o clã andou todo à procura dela pelos quatro cantos da casa? 
A avó partiu a prótese da anca? 
O mano fez birra para vestir a camisola do Sponge Bob? 
A mãe partiu uma unha? 
O pai estava de ressaca e não se levantou?

E quão alargada é essa família? 
O primo da França também conta? 
As oito ex-mulheres do tio octogenário também estão na linha considerável para a justificação?
O céu é o limite!

Às vezes, na tentativa de serem mais minuciosas, as respostas são um tanto nada prosaicas. 
"Teve diarreia"...
"Teve prisão de ventre!"... 
e quê? Neste caso ficaram em casa para lhe dar uma forcinha?

Enfim, laisser faire, laisser passez.
É que a LEI, para nós, aplica-se. E se o menino tiver faltas injustificadas, a gente mete-se numa carga de trabalhos em papéis, burocracias e "recuperações", que mais vale aceitar os motivos familiares. Afinal, os vínculos familiares, está provado, são um aspecto fundamental do sucesso escolar!

Salvo quando a falta de assiduidade é, de facto, continuada ou recorrente, nada disto é pecado capital. Graceja-se e passa-se a bola. 

Por vezes, no entanto, esticam a corda. Como faltar no dia do teste, previamente marcado. 
"Fomos de férias"... 
aaaahhh? E agora? 
Passo mais duas horas ao computador a fazer um teste novo para ti ou siga a rusga e fazes o mesmo? Já sei!
Para a próxima, avisa-me, que levas o teste contigo para as Caraíbas para que o resolvas ao sol!
Tem só cuidado de não o besuntar com gelado e não deixes que to confisquem na alfândega! 

Mais de resto... tá justificado!

domingo, 23 de dezembro de 2018

Natalar devagar e mornamente

Esteve um fim de semana tão lindo, este que antecedeu o Natal!
Debaixo de um solinho ameno, depois de tantos dias de chuva,
passeei com os meus filhos pela marginal,
fizemos umas comprinhas no comércio tradicional,
ao som de musiquinhas da época,
sem filas,
sem consumismo exacerbado,
sem a voragem diabólica em que se vive esta quadra nas grandes cidades;
visitámos a duendelândia e andámos no trenó virtual,
vimos pais natal a fazer paddle no Cávado,
vimos um Pai Natal a sobrevoar a praia em parapente!
Observámos garças, gaivotas e outras aves marinhas que só o Pedro sabe nomear,
apanhámos seixos na praia que a Maria gosta de pintar,
fizemos marmelada para oferecer,
embrulhámos prendinhas com carinho,
a Mary andou de patins,
fomos à missa abençoar o nosso menino Jesus e trouxemo-lo para casa para nos proteger,
enchemos a casa de cheirinho a canela e vinho do porto na confecção da doçaria,
vimos o ET de lágrima no olho,
deixámos o pôr do sol que prateava as águas do rio dourar-nos a alma.
É tão verdade que as melhores coisas na vida são de borla,
assim saibamos vê-las com olhos de ver.
Grata por tantas bençãos!

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Prendas que não têm preço!

São as melhores!
As prendas que não têm preço, são, cada vez mais, as que mais me preenchem a alma!

Lá na escola recebemos um contingente do lado de lá do oceano, maioritariamente famílias brasileiras, mas também algumas venezuelanas, todos à procura de alguma paz e prosperidade, que as terras-natais deixaram de dar.

Os currículos são diferentes, o calendário lectivo também, de forma que chegam "tarde e mal" e a escola decidiu  - e muito bem, a meu ver - oferecer-lhes aulas extra, uma oportunidade para trabalharem um pouquinho esta semana, para liquidarem essas lacunas e darem o pulinho para acompanhar os colegas, no próximo período.

De maneiras que...
lá estivemos nós, na escolinha deserta, a pôr a escrita em dia
com boa disposição, muito afinco e carinho.

Um grupo que vem 
com vontade de trabalhar, 
que pede mais ("dever dji cása, num taim não?"
e que me mima tanto na sua língua: 
"Oh, Txía! Cê tá linda hoiji!"

Explicar que não chamamos tia e socorrer-me de todas as expressões idiomáticas que me ficaram dos bons tempos em que "assistia novela". 

Digo "num isquenta!", 
quando ficam aflitos com tanta matéria

"Danou-se"
quando falham num exercício

ou:
"Legau!"
quando acertam!

E eles riem e continuamos.
"Sê esquecéu seu caderno? Uai! Qui saco!"
"num veim qui num teim"
"num m'inrola qui não sô onda!"

... e por aí fora.
Vejam lá a minha sorte:
Até tenho uma que se chama, adivinhem,
"Gábriéééla!"


Eu acho que das duas, uma!
Ou eu tenho uma pronúncia tão má quanto a deles em inglês
ou eu falo assim um brasileiro antigo, 
do estilo do que falavam as avós deles na roça...
que, às vezes, nem assim me entendem!

MAIS, dji um jeitu ô du ôtro,
Á coisa vai!

De todos, há uma menina.
Uma formiguinha.
Labuta, labuta, labuta,
como se não houvesse amanhã.
É a aluna perfeita.
Educada, focada, inteligente, sensível, com um sorriso no rosto.

Deu-me a melhor prenda do ano.
Escrito por ela, com palavras de coração.
Uma benção para o ano que se avizinha.

"Que Deus te abençoe
e te dê um ano feliz e abençoado...
Que seus desejos se realizem
e que em sua vida haja
amor, paz e amizade!
Bom Natal e Feliz Ano Novo!"

Comoveu-me, a Natália.
A Natália nem sabe como eram exactamente estas as palavras que eu precisava de ouvir!

Deus te abençoe, também, querida.
Deus te abençoe!



sábado, 15 de dezembro de 2018

F.I.R.E.


Uma Mãe de F.I.R.E.S.
Vamos lá falar de coisas sérias.

Era uma vez uns amigos nossos de praia. 
Gente simpática, educada, de bom trato, bom humor, piadas trocadas na areia, crianças que partilham brinquedos entre toldos e que levamos à àgua ao mesmo tempo, para o chapinhar ser mais largo enquanto os adultos desabafam aquelas arrelias que nos completam as vidas: o meu faz birra, aquele não come a sopa, a minha tem pancada com roupa cor de rosa e por aí vai.

Era uma vez a gente ver crescer os filhos uns dos outros, sazonalmente, mas com carinho e saudade, voltando à mesma praia, todos os anos, como quem regressa a casa, o porto seguro dos nossos afectos, para lavar com àgua salgada a poeira de um ano inteiro a trabalhar!

E, ver chegar filhos novos, desta vez a bebé rechonchudinha a mamar consolada. Olheiras de cansaço e sorrisos de alegria, a família a crescer, que bom partilhar destas conquistas, os amigos que têm um menino e agora uma menina!

Era uma vez o ano seguinte e os amigos que não voltam.
A Isa, a bebé rechonchuda, teve uma febre nesse inverno e a família entrou no inferno. O estado clínico da Ísis precipitou-se, convulsões atrás de convulsões, que ninguém conseguia dominar, como um fogo - FIRE - a queimar o sossego e a felicidade fotográfica daquela família.

Febrile Infection-Related Epilepsy Syndrome,
uma doença raríssima, que levou meses infernais a controlar
é o nome do fogo.

O outro, de que fala este livro e de que vos venho falar,
é o de uma mãe que leva tudo à frente e que arde de amor para ajudar esta menina.
Incendeia tudo, a mãe Carla.
Enfrenta uma comunidade clínica hostil,
chamusca imposições legais,
luta para que lhe validem a administração de canabidiol
à sua menina em fogo,
derrama no papel a dor, mas também a esperança ...

...e aqui estou para atear as labaredas desta fogueira agora.
Esta fogueira de amor,
esta chama de esperança para ajudarmos a nossa bebé da praia.

A Carla, a nossa amiga, escreveu este livro.
É um testemunho de amor, de coragem e de esperança.
Comprá-lo ajuda a financiar tratamentos e convida a uma reflexão sobre estas questões que não nos são alheias.
Porque somos mães.
Porque em dado momento das nossas vidas nos poderemos vir a encontrar com o sofrimento.
Porque, eventualmente, chegaremos a  velhos, em condições que ignoramos.
E, portanto, canabidiol pode vir a ser uma palavra com alguma ressonância nas nossas vidas.
Mesmo se não, há esta mãe e esta família.
E a vontade que temos de voltar a encontrá-los na nossa praia num verão próximo.

Se, de alguma forma, vos sensibilizei, vão à Fnac, procurem este título e comprem.

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