domingo, 17 de dezembro de 2017

Diana Bar

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       Na sexta feira foi dia de festinhas de natal: muitas crianças felizes, muitos gorrinhos vermelhos e bandeletes com corninhos de rena e sininhos e saias de pregas com meias pelos joelhos e rímel em bailarinas pequeninas e vozinhas angelicais em uníssonos de Merry Christmas!
        Até aqui, nada de novo. 
   
      A surpresa do meu dia foi este edifício e, uma vez mais, o deslumbre!
    Como é que eu pude ter trabalhado na Póvoa durante três meses sem ter tido conhecimento deste espaço? Aliás, como pude viver estes anos todos de vida sem...

       Aconteceu que tive de acompanhar uma escolinha a este espaço, porque decidiram celebrar lá a sua festinha de natal. E lá fui, inconsciente, rua fora, ao som do hino deles, todos contentes a cantarolar.

     À chegada - o pasmo! O deslumbramento!
    Foi-me difícil centrar-me na festa que iria decorrer no interior, porque simplesmente tinha chegado ao paraíso na terra: aquilo é uma biblioteca, em cima da areia, num edifício circular, todo envidraçado com vista para o mar!!!!! 
   Livros e mar! 
    Vou repetir: uma biblioteca em frente ao mar!
   
    Posso largar o ensino e ficar a trabalhar aqui até morrer?
       
  

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Dormisses!

Imagem relacionadaTrabalho numa das únicas escolas básicas (1ºciclo) do país que funciona em bi-horário,
quer dizer, há umas turmas de manhã e outras à tarde. 

Isso significa que as aulas começam às oito da manhã. 
"Às oito" não é uma forma de expressão - é mesmo a hora exacta a que o turno da manhã começa.

De maneiras que, 
após uma noitada a ultimar avaliações 
de olhos grudados e já trocados no excel das infinitas turmas gigantes,
diz-me uma garota na primeira aula da madrugada:

"Ó tíXER! Quantas horas dormiste hoje?"

(penso, deves estar com um lindo aspecto, deves! Já há muito que adoptaste o look bruxa-desmaquilhada, mas hoje que te deitaste às três e levantaste às seis e meia, sem sequer disfarçar com uma base hás-de  estar bonita...)

Balbucio: 
"Aaahhhmmmm... 
Porquê???.... 
Nota-se muito????... 
Tarde... deitei-me muito tarde ... estive a trabalhar..."

"Ah, bem me parecia!
É que o meu pai também é professor e esteve a fazer grelhas no computador até às quatro da manhã..."

E heis que finalmente aquela tagarela enfezada que me infernizou a vida desde Setembro consegue tocar o meu coração!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Motivo incontornável 2

A meio do teste.
(eu simplesmente odeio que eles interrompam o silêncio da prova!!!! Irrita-me solenemente, pelo que fico logo sem disposição nenhuma para o que me vão dizer a seguir...)

Resultado de imagem para kid with a falling tooth, clipartTíxEr, posso ir à casa de banho lavar a boca?

Eu,
a leste do paraíso,
a anos luz da faixa etária a que agora me dedico,
eu,
sem pescar mesmo nada da poda:

"e por que cargas de água hás-de tu ter de ir lavar a boca a meio de um teste?"

Caiu-me um dente e sabe a sangue!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Motivo incontornável

Fotos: Reprodução
"TíxEEE-E-E-E-E-E-R!"

Logo à entrada, antes mesmo de eu conseguir sequer abrir a porta.

"Diz, João!"

"Eu não estudei nada para o teste..."

Eu a preparar-me para o discurso do só-te-lembras-de-santa-bárbara-quando-troveja-e-agora-que-te-estou-a-entregar-o-enunciado-é-que-te-ocorre-o-estudo...

E ele, antes mesmo de eu abrir a boca:

"é que o carro da minha mãe foi assaltado!!!! 
e eu tinha lá a mochila com as coisas ...
e também tinha os livros de inglês ...
e eles levaram tudo e...
e...
e eu não pude mesmo estudar..."

domingo, 3 de dezembro de 2017

O LIVRO MÁGICO

Foto de O Livro Mágico - Musical.

É evidente que eu aconselho este espectáculo musical!!!

Mas: atenção! 
Faço-o, agora, após ter ido assistir à antestreia e ter usufruído de momentos deliciosos com a criançada da família. 
Não se trata, portanto, de assinar um cheque em branco. 
É que não é apenas o texto da mana. 
A interpretação e a encenação primam pela qualidade. 

Vi e  gostei MUITO! Filiações à parte.

Adoro musicais e, aqui, são as canções da Disney com que todos crescemos! 
Tão bom passar o espectáculo a cantarolar e a sonhar!
Depois aquela protagonista, a Maria, homónima da minha e com ela venturosa de audácia, determinação, sonho infantil e argúcia. 
Aquela rivalidade fraterna, cómica em palco, mas que nos atormenta na vida real. Acreditem pais, vão gostar de ver!
Viaja-se pelo mundo da fantasia e perde-se a noção do tempo. 
Apetece ir para lá para o palco dançar e cantar com eles!!!
O espectáculo está extraordinariamente bem conseguido e, certamente, fará as delícias de miúdos e graúdos!
Parabéns a toda a equipa e votos de muito sucesso!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Miúdos com sorte

Resultado de imagem para mickey  dentist"Tíxeeer!"
Como de costume, a meio de um exercício, quando lhes dá na cabeça.
"Yes?"
"Olha, eu hoje vou sair mais cedo porque a minha mãe vem-me buscar para irmos ao dentista."
"Está bem. Órait! Se tem mesmo de ser, depois acabas for homework! You finish em casa at home, ok?"

(sim, eu sei, pareço uma turista britânica de férias no Algarve há três meses; construo frases misturadas em três línguas para eles me entenderem e, às vezes, nem assim! Três línguas, sim. Não me enganei: inglês, português e childês ou infantilês, se preferirem, que é a linguagem da basicidade porque o meu vocabulário de adulta na língua materna também é estrangeiro para eles!)

"Está bem tíxEr! Eu faço!"
"Vai lá, então, to the doctor! Porta-te bem no dentista, mostra-lhe os teeth todos, mesmo os que te faltam!"

Intervalo. Cházinho, na sala dos professores. A meio do meu iogurte com cereais e nozes lembro-me de avisar a professora titular de turma que o menino saiu mais cedo.

"Bem sei; já tinha tudo combinado com a mãe dele. O que ele nem adivinha é que não vai ao dentista... Vai daqui directo passar o fim de semana prolongado na Disneyland Paris!"

Grande surpresa!
Nem imagino como disparará o coração de um piolho de oito anos ao descobrir que ao invés de ir limpar as cáries na nunca-muito-ansiada-cadeira-do-dentista vai fazer a viagem de sonho de qualquer catraio! Grande surpresa!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Na caixa do supermercado


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       Dois carrinhos cheios à minha frente. O habitual pensamento de que a caixa ao lado teria sido melhor escolha, porque a nossa percepção nos diz que anda mais rápido. As filas onde alinhamos andam sempre, invariavelmente, mais lentamente. Aquelas que eu escolho empancam sempre. Um cartão que não aprova. Um cupão fora de prazo. Um produto sem código de barras. O escarcéu.  
      A senhora à minha frente pousa uma caixa de cartão com um carregamento para pistolas Nerf no tapete deslizante. Penso, já estás grandinha para brincar com isso. Sorrio para a ideia dela, de mola na cabeça, casa fora, a brincar com a pistola atrás do marido em cuecas. Agora dispõe alimentos. Escolhas que não seriam as minhas. Cereais muito açucarados. Ice-teas gigantes. Batatas fritas, packs familiares delas. Agora, comida. Mais uma vez, produtos pelos quais não opto: nuggets, douradinhos, lasanhas pré-confeccionadas, o tipo de coisas que, penso, os meus filhos devem comer às carradas nas cantinas, pela comodidade - de preparar e de consumir (agrada ao paladar dos pequenates).
     Reparo que pintou o cabelo hoje de manhã. Ficou bem, embora ainda revele marcas de tinta na testa e nas patilhas, ao lado das orelhas. Cabeleireiro de bairro, provavelmente. Não, hoje de manhã não. Ainda são onze horas. Não deu tempo. Talvez ontem à tarde, antes de ir buscar os miúdos à escola. Miúdos, sim, deve ter dois. Um das fraldas que agora colocou no tapete, o outro da pistola, pois claro, era para o mais velho, não para ela. Também fez o buço. Ainda está vermelho. Se calhar, então foi mesmo hoje de manhã, cedinho, assim que os largou, na ama e na escolinha. Arranjou as unhas, essas estão decentes. De gel, vermelho. Outra opção que eu teria saltado (o rubro). De qualquer forma está melhor do que eu, que precisava desses três cuidados e não arranjo tempo nem para um. O meu cabelo está curto e desgrenhado, o buço comprido e destratado, as unhas clamam lima, nem sei sequer se tirei as remelas. 
     Olha, a caixeira da fila ao lado já aviou mais um. Eu não me mexo. Comprou pensos higiénicos, a senhora da frente. Deve estar naquela altura do mês; portanto o bebé já não é recém-nascido; mas ainda não dorme a noite toda, a avaliar pelos papos que traz debaixo dos olhos. Pensando bem, não é critério. Eu também os trago e já não tenho quem chore de noite. 
     Isto não desanda. Para a próxima vou para aquelas que somos nós a fazer o serviço; aquelas em que passamos os produtos e tudo. Fazemos nós o serviço e pagamos o mesmo, mas, pelo menos, a gente tem a sensação de que está a fazer alguma coisa para resolver o problema. Agora assim... este impasse! Ainda por cima o caixeiro é feio! Jovem, mas bexigoso. E a precisar tanto (ou mais) de um corte de cabelo como eu. Chama-se Eurico, leio na lapela. Coitado. Um mau emprego, uma cara estragada e um nome feio. Oxalá tenha sorte noutras coisas.
     O marido da senhora da frente gosta de uísque; acabou de pousar duas garrafas de uma marca com duas letras no tapete. Ou, se calhar, já é para oferecer no natal. Ao sogro. Ou ao chefe. Ou ao vizinho que fez o favor de lhe trazer um saco de cebolas e uma tronchuda. Ou então é mesmo para ela, ao serão, depois de deitar os putos, enquanto vê a novela. Assim como assim, talvez isso explicasse as bolsas debaixo dos olhos.
     Vai pagar! 
     Temos esperança! 
     Talvez eu ainda consiga enfiar 
a correcção de testes/ 
roupa estendida/
preparação do almoço/
escrita de crónica/
leitura-de-só-mais-um-capítulo-deste-romance-que-me-traz-agarrada-e-me-faz-a-mim-papos-e-olheiras 
antes da uma hora da tarde!
     O caixeiro feio tem um apelido pior do que o nome próprio, reparo agora que avanço três passos: Carqueijo. (como o chá?) Franzo os olhos míopes para focar. Sai-me, em voz alta, Carqueijo? Ele explica, amavelmente, solícito, feliz por sair do discurso formatado (cartão XXXX? cupões? vai desejar factura com número de contribuinte? tem quatro euros e vinte e oito cêntimos de saldo, deseja descontar?)  Carqueijó, é Carqueijó, na impressão é que não saiu o acento; é um apelido ainda muito comum nesta zona. Ah, pois muito bem, era mais um saco, por favor. 
     Ala que se faz tarde! E esta espera trouxe-me a urgência de mais uma tarefa a entalar nos meus múltiplos afazeres: procurar a cabeleireira lá do bairro!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

As cores da Black Friday

Estava para aqui a magicar que a sexta-feira negra faz jus o seu epíteto, não apenas porque há um certo apagão nos preços (haverá?) e, supostamente, descem os dígitos, mas também porque aquilo se tornou numa selvajaria tal que, há relato, não é difícil sair dos estabelecimentos comerciais com um olho negro. Lá está. Negro.

A verdade é que este é mais um dos grandes esquemas de marketing para nos varrer as já tão arejadas carteiras e que, amiúde, as promoções imperdíveis mais não são do que preços inflacionados cortados ao meio, com largas margens de lucro para quem vende e muito afastados do valor real dos produtos. Assim:
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Na voragem consumista, muitas vezes, esquecemos-nos de raciocinar. De optar em consciência. Sem manipulações. Em liberdade. Por isso é que - não ironica, mas propositadamente - é neste mesmo dia que se celebra o BUY NOTHING DAY. Um movimento antagónico que propõe que não se compre nada na famigerada sexta feira de saldos loucos.

O que me diverte é que  a Black Friday se prolongue por dez dias, como ouvi nalgumas campanhas. Dá-me vontade de rir que, na prática estejamos a falar de uma black Friday-Saturday-Sunday-Monday-Tuesday-Wednesday-Friday-and-so-on-and-so-on-etc-etc.... Neste caso será muito mais black (negra) do que Friday, uma vez que chegaremos ao final da dezena de descontos completamente depauperados. Negro!

Já estou como o outro, o do cartoon aqui abaixo, depois da sexta-feira negra vem de certeza o sábado vermelho, com népiazinha na algibeira!Vermelho!

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Viroses

Dores de barriga.
Resultado de imagem para child with stomach ache clipartMuitas dores de barriga.
Todos os dias.

Todos os dias a Sarinha tem de abandonar a aula
e beber chazinho.

Muitas vezes chora, agarrada ao ventre;
Muitas vezes tem de ir embora,
que não suporta as dores
e tem de se ligar à mãe para a levar ao médico ou para casa.

Viroses,
chamam-lhe,
viroses.

Consecutivas viroses depois,
à décima nona aula que tens com ela,
apercebes-te
que dos duzentos alunos a quem que ensinas
a Sarinha é a que sempre tem dores de barriga
finalmente vês
percebes
enquanto escreves o summary
e ela se queixa,
choramingosa
melada,
carente
finalmente abandonas os outros vinte e cinco
a fazer legendas de places in school
e aninhas-te na carteira dela
e dispões-te a ouvir
a compreender que virose é esta que a não larga.
Uma vez que ela já foi e voltou da casa de banho,
perguntas se está melhor.
Não está.
Está triste e chora baixinho,
ou melhor,
CHORA
inaudivelmene
- só lágrimas cheias e soluços.

Então:
vês
entendes
perguntas
sabendo o que vais ouvir...

que tem saudades
que o pai não está em casa
que foi para Lisboa

perguntas
(mais uma vez) adivinhando a resposta que vais ouvir
O que faz?
É professor.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vai-te encher de moscas

Já falei sobre isto anteriormente.
Resultado de imagem para vai-te encher de moscasVoltar ao assunto significa duas coisas: primeiro, que a luta continua; segundo, que a minha vida é tão desinteressante que não arranjo tópico menos prosaico sobre o qual me debruçar.
Enfim, MOSCAS.
Começo a perceber por que razão "Vai-te encher de moscas" é uma praga da pior estirpe. 
Haverá ruído mais irritante do que o zunir das moscas?
Elas a voar aos pares, em grupos, em bandos?
A gente a mirar e a acertar pontaria para uma singela mosquita poisada num espelho e assim que disfere o golpe e ela tomba, saem de lá mais duas, solidárias, evidentes, arrogantemente presentes... argh!
Eu acho que elas já me conhecem e passaram a palavra e foram buscar reforços a todas as vacarias da vizinhança e arredores. De certeza. Correu o boato. É uma conspiração de asas zumbidoras.
Eu, concentrada, de olhos esbugalhados e mata-moscas na mão, prestes a eliminar a próxima vítima e dou de caras com a surpresa da vizinha, amedrontada a tentar perceber o motivo do meu ar ameaçador. Figuras ridículas que um gajo faz por causa das manchas negras voadoras!
Argh!
A esfregar as patinhas...
Argh!
A deslizar
nas mesas,
nos balcões,
nos candeeiros,
nos vidros,
em todo o lado...
Socorro!
Nunca como agora,
eu,
à espera que a mosca pouse...
tensa, braço em riste, sentidos alerta, coração aos pulos, dentes cerrados, concentração ao máximo, olho fixo...
deve ser assim a caça;
mas esta é inglória:
mato uma, vêm mil ao funeral!
Ah, ignomínia!
Ah, infâmia!
Ah, desplante!
Ah, audácia vil!

E se "não é com vinagre que se caçam moscas",
então com que raio é?
Alvíssaras a quem encontrar a resposta!

domingo, 5 de novembro de 2017

Ó Dóóóóóna!


Resultado de imagem para plumber whistling clipart No outro dia chamei cá o senhor para compor o autoclismo que pingava.

(Eu tenho para comigo que os canalizadores são homens muito felizes. Só podem ser. Conhecem algum que não assobie enquanto trabalha? Quantos de nós se sentem tão à vontade no exercício da sua função profissional que possamos dizer ter desejo de cantarolar ou assobiar?

Felizes e bem sucedidos. Por que não?
Bem aventurados os homens ou as mulheres que sabem cuidar das canalizações.
Ajudam a resolver a vida das pessoas, não têm mãos a medir, pelo que devem facturar bem e a gosto, gerem os seus horários a seu bel prazer. Invejo-os. 
Para além do mais, admiro-os. São daquelas pessoas. As máquinas falam com elas, olham para um dispositivo e percebem logo a engrenagem, a mecânica da coisa, detectam o erro, sabem compor. Eu considero isso extraordinário, especialmente porque a mim, a única coisa que as máquinas me dizem é que já fiz m***a outra vez e tenho de desembolsar de novo. É - literalmente- o preço a pagar por ser aleijadinha das mãos e surdinha dos ouvidos para escutar os desalinhos de motores, canos, torneiras, porcas e parafusos.

Mas, enfim. Adiante.)

O guru da entorneira lá veio escutar a gota que me assola as noites a pingar na sanita. 
(Cá em casa chamamos entorneira às torneiras. Foi a Maria que apelidou em pequena e, a meu ver, muito bem pois é o que faz - ENTORNA)

Deixei-o lá a trabalhar e desci para as minhas lides (roupas, molas, estendais e afins). 
O homem bulia lá na casa de banho há um bom quarto de hora sozinho, quando me pus a imaginar.
(eh pá, não! Não se prestava a esse  tipo de fantasias!)
A gente não percebe nada da poda. Eles levam-nos como o diabo esfrega um olho, se assim o entenderem. Na volta aquilo era super simples, já está mais que pronto e está o homem a engonhar, só para cobrar honorários que se vejam. 

(Há que desculpar-se o meu mau juízo, mas aqui entre nós que ninguém nos ouve, já alguma vez contrataram uma reparação destas e o conserto levou apenas cinco minutos? NÃO!A coisa prolonga-se...tem que dar tempo para assobiar pelo menos um cd completo do Tony Carreira, alto e bem orquestrado como se a nossa casa de banho fosse o Olimpiá de Paris!!!!)

Então, dizia eu, pus-me a fazer o filme: a esta hora já o tóclismo está mais que pronto e está o homem, sentado na tijoleira branquinha, a dar uns toques com a chave de fendas na parede, a pousá-la no chão para que eu oiça que estão a decorrer os trabalhos...

Ocorre-me que lá esteja bem sentadinho, quiçá a fumar um cigarro ou a mesmo a comer uma sandocha com bifana e a emborcar uma bejeca, enquanto, volta e meia, bate com as ferramentas no chão ou interrompe o assobio para suspirar muito alto ou fazer um gemido de quem está a aparafusar com força, só para fazer parecer que aquilo está a ser custoso e árduo... sabendo a gente que só vai ser penoso mas é para mim, que vou pagar!

Rio-me de imaginar que o homem pudesse mesmo estar a fazer a fita das ferramentas no soalho e apetece-me ir lá acima, surpreendê-lo a meio do panado de porco. Não tenho tempo. Ele clama:

"Ó dooooona!"
"Está prontinho!"

Olarila!
Já não me safo de:
ser chamada por dona, como as cotas;
ter que limpar as patinhadelas que deixou na casa de banho onde efectivamente esteve a trabalhar
e, claro,
de liquidar a factura das válvulas, bóias, ligações e serviço.
É limpinho!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Saga Vida Nova - "tou c'a mosca"

Imagem relacionadaPara quem não sabe a nossa vida agora não é unicamente perfumada de maresia.
É que nós não mudámos apenas para a beira-mar. 
Nós mudámos para o CAMPO!!!!
Vivemos numa aldeia, onde,
consoante os ventos,
por vezes,
cheira a vacas
ou a estrume
ou a milho ceifado.

Ora: campo - moscas!!!!!!
MOS - CAS!!!
Pegajosas,
zumbidoras,
omnipresentes,
o raio que as parta!

Desde o primeiro dia declarei guerra doméstica e decidi exterminá-las cá de casa.
Tentei de tudo.
Fechar portas e janelas (mas por onde raio é que elas se infiltram????)
Espalhar sal grosso.
Enfiar Ezalos e DumDums em tudo o que é tomada.
Spraizar os compartimentos todos até ao limiar da asfixia...

Nada.

O máximo que consegui foi que andassem por ali meias grogues; finalmente percebi a expressão mosca morta, elas muito lentas, muito arrastosas, a irritar-me ainda mais com a molenguice e a desejar que estivessem literalmente mortas!

Estive prestes a comprar daquelas fitas deprimentes que se penduram no tecto para que elas fiquem agarradas, mas temi pelo meu Pedro...era capaz de ficar lá ele enrolado... melhor não!
Ainda dei com umas raquetes na dispensa que, suponho, as eletrocutariam  e - suponho também - os meus filhos iam adorar andar à raquetada cá por casa; mas as ditas precisavam de um adaptador de tomadas (coisa que, entretanto, ainda não comprei). Portanto, o squash de moscas terá de aguardar.

Então falaram-me na panaceia miraculosa para os meus males, um tal de Biokill infalível, que funcionaria como barreira invisível para impedir a sua entrada indesejada.

Acabo de infestar a casa toda com o spray da minha última esperança, entro na cozinha  e ali as vejo, grudadas nos meus vidrinhos acabados de limpar. Roguei pragas ao biotanga e desatei em investidas veementes de fúria homicida...

Ah! Não há como uma valente chicotada com o mata-moscas.
E quantas inflijo!
Tornei-me uma assassina nata (marta!).
Então quando se põem a esfregar as patinhas mesmo debaixo do meu nariz ou a chiscar nos candeeiros... levam logo uma palmatória que até deixa sangue, algo que se tornou, de alguma forma, perversamente satisfatório para a minha alminha enraivecida! Particularmente prazenteiro é também dizimar uma cópula, os parezinhos de asco que pousam em êxtase na bancada da cozinha e, enfim, assim morrem, com prazer duplo - o meu que interrompe o delas!

Portanto, está aberta a época de caça cá em casa. (Ou o tempo arrefece ou será o ano todo!)
Entretanto, e em bom abono do Biokill, a varejice melhorou. Aparentemente aquilo leva umas horas a produzir efeito e, de facto, se as não elimina por completo, reduz a afluência em grande medida. E ainda bem! É que eu já estava tendo uma luxação no ombro direito de tanto raquetar!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Saga Vida Nova - Gaivotas

Resultado de imagem para gaivotasUm dos aspectos que agora faz parte do meu quotidiano são as gaivotas.

Vão dizer-me que elas são reservatório de bactérias multiresistentes, que se reproduzem vorazmente e, portanto são uma praga nas cidades costeiras, que ameaçam a higiene pública e que, em época de nidificação se tornam até agressivas... 

Mas o meu espírito romântico aprecia vê-las por aqui e acolá, a rasgar os céus, livres, felizes, ariscas. Destemidas, pata ante pata, no meio das gentes. Lindas na marginal de Esposende, empoleiradas no paredão ou a deambular pela relva ou a planar ao pôr-do-sol ou a manchar o céu em bandos matinais. Ou preguiçosas nos bancos do rio, debaixo da ponte de Fão. Ou na cidade, na Póvoa, a gritar como as poveiras, em disputa com elas.  Gosto.

Hoje mesmo fui almoçar de marmita para a praia. De súbito, fiquei rodeada de aves destemidas, gordas como perus, não para me fazer companhia, mas à espera que as alimentasse do meu manjar. Ri-me da astúcia. Atirei um pedaço de chouriço da feijoada. Desgrenharam-se para o apanhar. Ri-me sozinha, debaixo do sol. Disse de mim para mim própria que também haviam de provar a cenoura e os bróculos estufados... come-os tu! Está visto que não são vegetarianas, manda mas é para cá um naco de bife. Assim fiz. Ri-me, que o deglutiram num ápice, com a cenourinha a continuar reluzente e displicente na areia. Safadas.

As gaivotas da Póvoa já não pescam no mar. 
Pescam em terra. 
(São finas. é mais rentável, menos trabalhoso e mais saboroso.)
Vejo-as nos recreios, depois dos intervalos, assim que dá o toque de entrada, a bicar os restos que os miúdos perderam, entre uma futebolada e a troca de cromos. Grasnam e patinam pelo recinto fora, majestosas, no seu reino, ali é a sua praia, a dos lanches gulosos preparados pelas mãezinhas na noite anterior. Não pescam sardinha. Pescam modernidade. Pães com Nutela e bolachas Oreo.  Gordas, ociosas, obesas, filhas do consumo... Juro que no outro dia uma levava um pacote de leite chocolatado no bico...

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Vida nova

Sei que estão cheios de curiosidade sobre a minha "vida nova".
Antes que me comecem a invejar os pores-do-sol deslumbrantes, a casa espaçosa e as vivências litorais, invejem-me também as angústias e as ansiedades, as noites sem dormir na expectativa de que os miúdos se adaptem a escolas novas e amigos novos, a dificuldade em alinhar rotinas e a flexibilidade mental que criá-las requer. 
Invejem-me antes a força mental que é necessária para implementar uma mudança desta dimensão, a coragem que é preciso para dar o salto, a pontinha de desespero que é necessária para saltar e o jogo de cintura para planar após o salto, sem olhar para trás. Ao sabor do vento. De asas bem abertas e olhar no futuro.
É verdade que a brisa marítima empurra a saudade, que as rotinas escolares e profissionais tomam conta da espuma dos dias, mas saibam que comparamos, sentimos faltas, sentimos saudades.

Vou tentar pôr a escrita em dia e revelar-vos, pouco a pouco, todo o novo que agora vivenciamos. 
Não ainda - por hoje apenas esta nota de saudade.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Putaquipariu Jonny


     

















     Há umas semanas que não escrevo e, hoje, tu atiras-me para o papel. Revoltada comigo própria porque o que te vou dizer aqui e agora já devia ter sido dito, em vida, e não agora que cá não estás para gargalhar e lacrimejar com o texto em tua honra. Mas, enfim, somos egoístas e escrever afaga-me a alma e apetece-me falar-te e já não é possível. (não acredito que já não é possível)

      Em tua memória abrimos uma garrafa de vinho tinto. Eu e o Reno. Ao almoço. Não é que a gente precisasse de desculpa, mas era o que faríamos se nos tivesses vindo visitar e hoje a presença da tua ausência brusca e dura encheu de silêncio a nossa refeição, a nossa voz, os nossos corações. 

Gostávamos de ti, Jonny. Dizíamos-to muitas vezes, com as letras todas e tu respondias de volta, "gosto muito de você, viu? te cuida, garota! E dá um abraço no maridão que eu também gosto muito dele"
 porque eras um homem de afectos 
e depois desconversavas e dizias 
"chega de lamechice, tamos ficando velhos cÁralho!"

     Eu e tu era uma borga. Piadas inapropriadas, brindadas com olhares de soslaio, reprovadores e certeiros, e nós na nossa loucura de outsiders, um pouco de forasteiros excêntricos e desabridos, a gargalhar até às lágrimas, até à urina, indiferentes à imagem social. Saudade, Jonny. 

     Tu, que amavas a minha família, 
pegavas no meu Pedro ao colo para o deixar na Cáritas, a caminho de Vinhais; 
que trocavas dicas de gastronomia com o Reno, de bom cozinheiro para bom cozinheiro; 
que lias e curtias todos os meus textos, mesmo os mais longos e secantes; 
que rezaste pelo meu marido no período crítico; (ou macumbaste ou chamaste os teus anjos, pés de santo; arixás; fontes de luz fosse o que fosse da tua pesada espiritualidade e vontade de ajudar e dar esperança ao próximo)
tu, que nunca deixaste de me telefonar ("eu te quero muito bem, você sabe, né?") mesmo quando foste procurar ser feliz para mais longe;

     Tu, que saltavas em defesa dos alunos,
pela justiça e humanismo,
que eras um professor com P muito grande,
dedicado, competente, exímio nas matérias,
extraordinário na relação com os miúdos,
quantos defendemos juntos em Conselho de Turma!

Tu, que querias endireitar o mundo,
eras perfeccionista e zeloso,
tinhas a casa num brinco,
penduravas a roupa com as molas agrupadas por cores
e alinhavas sempre o cinzeiro para o mesmo lado
na esquadria do quadro da parede.
 

Tu, que lias o Pessoa como a bíblia,
o teu Álvaro de Campos,
o meu Caeiro,
tu que partilhavas poesia comigo
e piadas porcas
e disparates só nossos
e sarcasmos políticos e anti-institucionais.

Tu, que me desabafavas desamores, 
um homem tão extremamente apaixonado e romântico
quanto desapontado e traído.

Tu, que me desabafavas uma escola que te engolia
oprimia e tentava amordaçar o teu espírito livre e criativo.

Tanta, tanta falta me farás, João.
Vou procurar-te, recordar-te, buscar-te 
na nossa Balada do Louco do Ney,
no fundo de um copo de maduro,
na mitologia grega, que desfiavas ao pormenor,
num cigarro ao luar,
e num cantinho que há-de ser sempre teu e que agora arde no meu coração, amigo.

Tu, que amavas a natureza e a vida.
Biólogo de coração.
E partes?

Putaquipariu Jonny

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Saga mudanças - saber de experiência feito

 Imagem relacionadaAgora que estou a acabar de dizimar caixotes
e para aqueles que me foram seguindo nesta saga das mudanças, 
aqui vão algumas pérolas de conhecimento adquirido a braços, suor e lágrimas, 
saber de experiência feito, como dizia O Poeta:

1) a fita cola da loja dos Chineses não serve...
Tem a mesma largura, diâmetro e cor que a desejável, mas não tem a força nem a resistência necessária para as cargas. Ou seja, um gajo sela os caixotes, aquilo tem a cor castanhinha e tudo, mas depois aquela porcaria descola toda, não chega ao destino. A  única utilidade que lhe vejo é caçar moscas desprevenidas - e, mesmo assim têm de ser mesmo daquelas muito estúpidas ou muito grogues. É pendurar umas fitinhas do tecto e esperar que elas lá fiquem presas...

2) a capacidade dos caixotes é um engodo
lá porque aquilo diz que alberga 30 kilos, isso não quer dizer que a gente os vá conseguir sequer levantar do chão...

3) etiquetar ou escrever em caixotes NÃO é perda de tempo
Evita que se tenha de jogar ao ovo kinder na nova casa e que se ande a desembrulhar cinquenta pacotes até descobrir onde raio param as cuecas!Ou aquele urso de peluche sem o qual eles não dormem...

4) sacos do lixo de grande capacidade são imprescindíveis
são óptimos para atoalhados, edredões, almofadas, tapetes, cortinas e até roupa. São óptimos para o efeito alcochoamento da carga - isolam objectos mais frágeis e são fáceis de acomodar na mala do carro.

5) Quando, à chegada, tilinta... está partido!

6) O frango no churrasco é o melhor amigo dos casais em mudanças!

7) O papel higiénico também 
e convém existir - à saída e à chegada.

8) Na casa  de onde partimos parece tudo essencial. Na casa onde chegamos prescindir-se-ia de metade para não ter que desempacotar mais. Aliás, quem já fez mudanças sabe que alguns caixotes ficam provisoriamente para sempre na garagem!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Aceito, confio, recebo e agradeço

Porque estive na "nossa" praia, porque é verão e pessoas me voltam a falar de ti, porque a saudade aperta. porque se aproxima a data do teu aniversário, não sei.

Há dois dias que tenho o mesmo sonho. Um pouco absurdo, como próprio do onírico, mas nítido e perturbador.

Vejo-te na praia, banhada de luz, sob um sol intenso, a fazer um valente serviço de volleyball em suspensão. 

E é ali. Aquele momento. Suspensa no ar, acima da areia, com um movimento pujante do pulso direito que te me traz à consciência e simultaneamente me acorda.

Desperto banhada em suor, com um aperto no peito e confusa, embora, durante o sono, não se trate de um pesadelo; pelo contrário, é uma alegria ver-te ali suspensa a jogar.

No entanto, acordo confusa...desapontada por não ser real, por ser tão curto, por terminar. Na vida real não jogavas volley, mas não é que não aceitasses o desafio, se to colocassem. 

Por outro lado, tu representas para mim aquela energia, aquela vivacidade, aquela força. Por isso, no final do sonho há aquele amargo de boca que a vida nos deixa quando morre alguém muito jovem ou um atleta ou um herói. A gente resigna-se, mas não deixa de pensar que havia ali tanto potencial perdido.Acho que é por isso que me sinto tão incomodada ao despertar.

Todavia, não me queixo. Durante anos estive presa à tua cama de hospital. Percebia o quão traumático isso havia sido para mim, mas irritava-me não conseguir recuar para milhares de experiências igualmente intensas, mas mais agradáveis que partilhámos enquanto mãe e filha.

Agora, ao menos, vejo-te banhada de luz boa, suspensa e em acção. 
Recebo e agradeço. É tudo o que preciso nesta fase.

Poema em linha recta

Álvaro de Campos - Poema em linha recta
Imagem relacionada
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

domingo, 20 de agosto de 2017

Primeiras impressões sobre o futuro

No outro dia fomos a Esposende.
Fazer um reconhecimento de campo mais incisivo - escolas, piscinas, clubes e campos de futebol disponíveis, enfim,  antecipar rotinas para o ano lectivo que vem.
Ainda não era Agosto, a época balnear não estava no seu pico, portanto pareceu-nos tranquilo e saudável.
O que nos saltou à vista:
-  uma marginal fabulosa para caminhadas em família;
- uma cidade planinha para andar de bike;
- actividades na marginal ou no rio: pesca, papagaios de papel; canoagem, kitesurfing...
- um centro histórico limpo, organizado e aprazível;
- uma envolvência muito rural, muitas estufas, muitos milheirais, muitas vacarias, muitos tractores a passar, conduzidos por mulheres valentes e carregados de cebolas.

"Mãe, aqui é tudo ZENDE ou Cávado"

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Princesa enquanto dura

Alguém leva as meninas-de-etnia-da-escolinha-difícil-onde-nenhum-professor-aguenta-muito-tempo a um encontro interescolas numa cidade do distrito.
Resultado de imagem para princesa disney ciganaAs meninas estão tão eufóricas que me contam, estridentes, que vão dançar a outro país.
Alguém pega nelas, leva-as para sua casa, lava-as, veste-as, penteia-as, maquilha-as, arranja-lhes as unhas e perfuma-as. Adorna-lhes os cabelos com flores de papel feitas à mão. Transforma-as em verdadeiras princesas.
As meninas princesas portam-se lindamente em palco (e fora dele).
Nesse dia não há zaragatas, não se insultam, não se agridem. São princesas a viver um sonho partilhado. Porque alguém acreditou nelas e lhes deu uma oportunidade.
Fazem uma exibição magnífica; dançam como princesas das arábias.
Voltam deslumbradas e felizes.
À chegada, uma surpresa comovente. Uma delas tem à sua espera o príncipe encantado que o seu coraçãozinho de nove anos mais deseja e que não vê há três anos. O pai, a usufruir de uma precária.