sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Aproximadamente seis homens!


Aqui há uns dias estava a ouvir a M80.
(sim, eu assumo a cotice!!! Mas a cota que eu sou é o que ouve no carro)

De repente, é suspensa a emissão por uns bons segundos.
E eu penso, raios parta o chaço velho já nem "apanha" a rádio em condições!







Todavia, desta vez, a culpa não era do meu velho bólide!!!




Eis senão quando, a locutora retoma o programa e pede desculpa pela falha técnica, explicando, entre risinhos nervosos que "os nossos ouvintes nem imaginam a balbúrdia que vai aqui neste estúdio..."
Antes que eu pudesse apimentar, na minha imaginação prodigiosa, os motivos que teriam levado à falência técnica, uma voz masculina auxilia-a, a esclarecer:
"É verdade, caros ouvintes, estão aqui a pendurar uma faixa e a há muitos escadotes e homens à nossa volta..."
E ela:
"Sim, a trabalhar, em pleno estúdio, quantos são?...dois... três...... mais aquele ali... seis... aproximadamente seis homens e, caros ouvintes, perdoem-nos, estas coisas acontecem..."

Aproximadamente seis homens????????












Honestamente, fiquei a matutar naquilo.
E, sem querer ofender ninguém, gostaria mesmo de saber qual dos homens era apenas aproximadamente um homem e, já agora, que parte lhe faltava para sê-lo por completo...
Do que se retira que as locutoras de rádio são mulheres muito exigentes e também com muito poder de observação.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A minha carta ao Pai Natal ***

Meu querido Pai Natal:
Não sei se ainda venho a tempo, mas como sabes sou mãe e, portanto, sou sempre a última das minhas prioridades. Eu não sei muito bem se acredito em ti ou não, mas, pelo sim, pelo não, tenho uns desejos para expressar. Se tu fosses menos pançudo e barbudo e mais parecido com aqueles senhores musculados dos calendários solidários, eu não teria perdido a oportunidade de me sentar ao teu colo a pedir um desejo, mas como és velhote e moras tão longe, basta-te assim. Presta bem atenção porque a maioria dos pedidos são semelhantes aos do ano anterior e não foram atendidos. Desconfio que estás a ficar surdo ou senil, naturalmente, será da idade. Ou então eu portei-me mesmo mal e não mereci nada daquilo. Vou tentar a minha sorte outra vez. Tenho sido uma boa mãe: alimentei-os, lavei-os, vesti-os, mimei-os e berrei-lhes o ano todo.
 
1) Recauchutagem
Ora bem, assim para começar podia ser braços de ferro para os transportar quando adormecem no carro; uma actualização do cérebro com extra créditos de paciência e, já agora, a devolução das maminhas e da cinturinha pré-parto, faxavor!

2) Gadjets
Era assim um automóvel com aspiração central que detectasse as migalhas automaticamente; era uma televisão que tivesse algum canal para além do Panda, do Disneychannel, do Nickleodeon ou do CartoonNetwork e uns phones ultrapotentes para eu conseguir falar ao telefone. Ainda queria um placard em neóns berrantes onde eu pudesse programar as instruções mais frequentes, de preferência com suporte audio, do estilo: "Vão lavar os dentes!"; "Venham para a mesa!" ou "Lavem as mãos!" , entre outras. Isto podia vir acompanhado de um sistema de semáforos para a casa de banho e também um daqueles ecrãs numéricos, como no talho, para organizar os pedidos de auxílio aos pais! 

3) Bagatelas
Estava mesmo a precisar de um filho que não comesse com as mãos; uma filha que respondesse sempre "sim, mamã" (pensando bem até pode mesmo ser uma boneca, só para reforçar a minha auto-estima). Também dava jeito dois irmãos que não se pegassem e com sistema de autolimpeza incorporado, como aqueles fornos automáticos que se limpam sozinhos.

4) Luxos
Se, eventualmente, estes produtos já estiverem esgotados contento-me com cinco minutos de absoluto silêncio (nada de muito grave, mas tipo uma mudez temporária ou uma afonia ligeira) ou tempo suficiente para conseguir lavar a cara e pentear-me na mesma manhã ou para não ter de fazer uma sopa em três actos!!

5) Milagres
Como estamos na época deles, também posso pedir os meus: se não fosse pedir muito era uma lei que proibisse os trabalhos de casa; era convenceres os meus filhos a colaborar nas tarefas domésticas voluntariamente e, se não fosse muita maçada, dares também a volta ao miolo do pai para não lhes dar guloseimas às escondidas!



*** Este texto foi publicado em Dezembro de 2015 no meu  blog maospequeninascoraçõesgrandes. O conteúdo adequa-se mais ao Marta à vista

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Fsssssssssssssssssssttttttttttttttttttt!

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Eu, na pista de gelo, com os alunos! Quase isto!!!!

Nove da manhã em ponto. Amontoam-se em frente à porta, artilhados com mochilas gigantescas (penso - vamos acampar e ninguém me avisou?), kispos no chão, pinotes desalinhados.
Tento atravessá-los para chegar à porta. Aos gritos, muitos decibéis acima do que eu desejaria:
"Professooooo-raaaaaa!"
"Diz! Estou aqui ao teu lado, não é preciso berrar!" 
"Vai connosco à Pista de Gelo?"
"Sim, é hoje, não é?"
"Eeeeeeeeehhhhh", mais decibéis, desta vez em coro.

Finalmente consigo entrar na sala de aula. Abraço furtado de uma piolha, agarra-se-me à cintura, por cima da pasta que trago a tiracolo.
"Teacher! You is my favourite teacher
(eu a pensar se lhe havia de retribuir o abraço ou corrigir a pessoa gramatical!) Sorrio.

Desta vez triunfo. Ainda consigo escrever o sumário e fazer uma revisão rápida para o teste, que foi adiado por causa da saída de hoje.

Alegria, euforia, algum receio. Patins calçados, brilhos nos olhos, capacetes na cabeça, nervoso miudinho. Alguns tombos, muitas gargalhadas. Convenço um resistente, entro para a pista e patino com eles.
Dia bom!




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Mea culpa ou de como os adultos também erram ou andam indesculpavelmente distraídos


Boy sitting at his desk playing with a p : Foto de stock



"Não podes conversar! Se não estiveres sossegado a resolver o teste, anulo-to" 

Numa fracção de segundo penso, linguagem hiper desajustada, Marta, eles chamam-lhe ficha (ficha de avaliação) e provavelmente não sabem o que é anular, muito menos "anular um teste"; isso NUNCA deve ter acontecido na sua breve vida escolar. Raisparta que nem em português sei falar com os catraios!
 Explico-me, emendo-me:

"Entendes o que estou a dizer? No dia de ficha têm de estar caladinhos, sem perturbar os outros, de outra forma a professora diz que não valeu e dá-te um zero..." (achei que figurativamente o número redondo ia fazê-lo perceber-me melhor). 

"Depois lá vem o papá à escola para saber o que se passou e vou ter de lhe contar que não respeitaste as regras..."

Ele balbucia numa voz sumida "Eu não tenho pai" e eu percebo que quem devia ter estado calada era eu.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Tecnologia de Ponta

      Vem aí o natal e a televisão grita os últimos gadgets tecnológicos que não podemos deixar de ter. 
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      Eu, que não distingo um iphone de um ipad e, por isso, chamo a tudo... telefone... fico perdida no meio do barulho progressista que não consigo acompanhar.
    Não é que eu seja daquelas absolutas analfabetas digitais, afinal até uso um email, guardo docs em clouds, tenho conta nalgumas redes sociais e escrevo em dois blogues. Contudo, eu tenho aquele problema com máquinas (ler  aqui)! O problema de andar sempre em estado de choque e dar conta de tudo que é electrodoméstico, ou máquinas em geral. Carros e telefones incluídos. Entre outros.
      No outro dia, carreguei várias vezes no comando do quadro interactivo e aquela porcaria não ligava. Os miúdos garantiam que com a professora chamemos-lhe Guidinha estava a funcionar. No meu interior ainda assomou a dúvida, será que? O certo é que, no final da aula, pedi à auxiliar que mudasse as pilhas do comando. No dia seguinte- "não foi preciso mudar nada, senhora professora, está a funcionar na perfeição". Não me surpreendeu. 
      De maneiras que, aliadas a minha ignorância de aparelhos, com a minha alta tensão para lidar com eles...bem pode a televisão berrar que este ou aquele... telefone... é o Rembrant das comunicações, que a mim... passa-me ao lado.
      A verdade é que o meu ...telefone... caiu e estilhaçou o ecrã. Na altura hesitei entre considerar aquilo uma praga da Nókia,  uma mensagem divina de que devia abandonar por completo as telecomunicações ou atribuir-lhe uma qualquer mística simbólica (andarei a negligenciar a comunicação com alguém?) 
     O facto é que tinha comprado o... telefone... em Agosto e não me apetecia nada ter de naufragar pelas prateleiras das lojas da especialidade atrás de um aparelho que me sirva para o que quero, sem ter de ser amavelmente bombardeada pelas sofisticações que não entendo e que os funcionários ultra disponíveis insistem em realçar. (ultra disponíveis, os funcionários, na-proporção-da-comissão-que-eventualmente-ganham-ao-impingir-me-o-último-grito)
      É que, de uma vez por todas, a ver se a gente se entende: tecnologia de ponta, para mim, foi daquela vez que a minha máquina de lavar loiça avariou com um mau contacto no botão On/Off e eu resolvi o problema entalando-lhe lá um palito a fixá-lo. Ou melhor, a ponta de um palito. A meu ver, o expoente máximo da tecnologia de ponta.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hamlet Talvez, a partir de William Shakespeare


 

Ontem à noite fui ao teatro sozinha, como par habitude. 
Ainda desafiei uma amiga, mas acabou por não se concretizar e não me demovi de ir ver a peça. Há anos que assim faço. Era assim com vinte anos, no Theatro Circo. Assim é com quarenta, no Teatro Municipal de Bragança. O mesmo acontece com saraus literários. Era eu com dezassete anos, na Feira do Livro em Braga. Sou em com os supramencionados quarenta nas recepções de escritores aqui no interior. Não é incomum estas coisas terem públicos escassos, penso que para a maioria estas eventos são mesmo chatos. Eu gosto. E vou, quando posso. E gosto de ir sozinha. Concentrada apenas naquilo ao que vou. Sempre me distraio um pouco no foyer a ver as plumas das madames, daquelas que vão mais para ser vistas do que para ver (alfinetada queirosiana não premeditada!). Mas depois, na sala, sou só eu e o espectáculo. Absorvo tudo. Entro noutra dimensão.

Serve este post para louvar a peça a que assisti, mas também o cartaz do Teatro Municipal de Bragança. (TMB)
Ao contrário do que o provincianismo das gentes dos grandes centros cosmopolitas possa pensar, a província tem acesso e, por vezes, chega a ser foco de emanações culturais de qualidade. Ocorre-me, por exemplo, o Fundão, cujo município apostou fortemente na cultura como um dos principais pilares de evolução do concelho. 
Para começar,o edifício do TMB, que aliás vi crescer, é lindíssimo. Depois, a programação é variada e de qualidade, a preços muito razoáveis. Um privilégio.
A peça, ontem, era a doer. Ou fez-me doer qualquer coisa cá dentro, até às lágrimas. Belíssimo texto. Extraordinária interpretação. Um momento magnífico. 
Era só isso. Parabéns à Companhia JGM por dar vida de forma tão intensa e este texto sublime que conheço já dos tempos da faculdade. Parabéns ao TMB pela escolha.



 
A Companhia JGM (João Garcia Miguel) é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Secretaria de Estado da Cultura / Direcção-Geral das Artes



 “Abordámos Hamlet como um texto religioso testemunho de lugares estrangeiros. Ali procurámos ajuda para os enigmas do viver e auxílio para modificar o que vemos acontecer em nós. Dentro e fora de cada um. Ser atingido por estes testemunhos é possuir uma máquina de espreitar para o nosso interior. É essa talvez a razão porque escolhemos fazer Hamlet, porque acreditamos nas artes como um sistema de resistência contra a destruição da alma que é o que nos preserva enquanto natureza, animal e humano. Sabemos que a palavra alma, essa força indistinta e intemporal, está fora de moda e o seu significado soa confuso incompreensível para muitos e para nós de certo modo também.”

João Garcia Miguel


DIREÇÃO, TRADUÇÃO, D
ESENHO DE LUZ: JOÃO GARCIA MIGUEL.
INTERPRETAÇÃO: SARA RIBEIRO, FREDERICO BARATA, RITA BARBITA, PEDRO J. RIBEIRO, ANTÓNIO PEDRO LIMA
ASSISTENTE DE DIREÇÃO E APOIO À TRADUÇÃO: SÉRGIO CORAGEM.
FIGURINOS: ANA LUENA.
DESENHOS DE LUZ: LUÍS BOMBICO.
DIREÇÃO DE SOM: MANUEL CHAMBEL.

domingo, 27 de novembro de 2016

Patinagem artística


Este post tem que ser lido ao som desta música. 
Porque 
se lhe acrescentarem o silvar dos rolamentos no soalho do rinque
têm a banda sonora dos meus sábados à tarde durante a adolescência.
O cheiro inconfundível do pavilhão:
um misto de óleo dos patins com madeira e pó levantado.

Vozes que ecoam, o apito da treinadora, uma ou outra travadela que guincha,
mas sempre os hits dos anos oitenta à mistura:
Podia ser "Listen to you heart"  (Roxette) ou  "Take my breath away"  (Berlin).

 E nós de um lado para o outro va-voom; va-voom;
uma extrema sensação de liberdade
à medida que ganhávamos confiança e maior velocidade;
a alegria eufórica de conseguir uma nova técnica - andar para trás; curvar; travar com os pés e não com o travão.

Podia começar um  "I wanna know what love is"  (Foreigner)
 enquanto a gente treinava figuras mais ou menos difíceis: o carrinho, o canhão (quanto me custava este!!!); o avião; a águia; a taça (sim, conseguíamos levar o pé à cabeça com uma só perna de apoio... ); o temido loop... ("Nothing's Gonna Stop Us Now" - Starship)

A gente chegava ao pavilhão e já o zumbir nos tacos, ao som de "The Time of My Life" ou
"I Wanna Dance With Somebody" da Whitney Houston.

Depois aquecia-se, treinava-se técnicas e figuras em pequenos grupos, divididos, suponho, por níveis etários e de desempenho. "Words... don't come easy"

Por fim, fazíamos fila indiana e atravessávamos o pavilhão em esses e oitos, das mais altas e mais velhas, em escadinha até às mais baixinhas. Eu era alta, mas não tão proficiente quanto a minha altura, pelo que aquele era um momento de verdadeira tensão em que me esforçava por acompanhar o ritmo da cobrinha serpenteante, sem que se partisse no meu ponto. Nessas alturas, a música estava ao rubro. (Já não havia instruções - limitávamo-nos a imitar as figuras das da frente.) Então, éramos só nós, equipa, a deslizar ao som da música e a bancada cheia de pais babados a trautear "I'm still loving you!"